Desde o princípio, o saber tem sido um diferencial na humanidade; detentores de sapiência sempre se sobressaíram em todos os aspectos. Ter acesso ao aprendizado nunca foi fácil — até mesmo atualmente. Imagine nos tempos dos egípcios, da colonização do Brasil, ou no período da ditadura: esses são apenas exemplos de como a informação privilegiou aqueles que a detinham e, consequentemente, prejudicou os que não a possuíam.

No momento a grande incógnita é onde chegaremos com tanto conhecimento? Vale do Anhangabaú, mutirão do emprego, São Paulo.
Hoje, a inteligência artificial já é uma realidade. Você procura um tênis no Google, fecha a página, abre outra e, de repente, surgem ofertas da Amazon, Mercado Livre, entre outras. E não para por aí: o Google criou o Google Home, e, por meio da internet, sua residência é capaz de interagir com você. Estou falando de equipamentos eletrônicos — é a chamada Internet das Coisas, que irá revolucionar as cidades e até mesmo o campo, especialmente por meio do agronegócio. Mas foi assistindo à apresentação dos robôs da Boston Dynamics que realmente fiquei assustado com a proximidade das máquinas em relação à humanidade. As perguntas são: até onde a tecnologia vai chegar? Será que as máquinas um dia serão totalmente independentes? E, se forem, um dia se rebelarão contra a humanidade?
Em se tratando do outro lado da moeda, as consequências serão catastróficas. No nosso país, impera a desigualdade social, como ficou evidente no período da pandemia, quando se tentou oferecer ensino a distância. A realidade mostrou que muitas famílias não estavam preparadas, pois não tinham equipamentos ou sequer serviços de internet de qualidade.
Isso é apenas a ponta do iceberg quando falamos da inacessibilidade das classes subalternas à tecnologia, ou seja, à informação e ao domínio adequado dessas ferramentas. Sabemos o quanto os avanços tecnológicos são importantes e o quanto nos proporcionam conforto e satisfação, mas a sociedade pagará um preço muito alto por todo esse legado. Entre os impactos, o pior de todos é o aumento do desemprego, pois é notório que as máquinas ocupam cada vez mais espaço no mercado de trabalho, em uma proporção numericamente desproporcional.
Um exemplo claro é o dos ônibus da região do ABC, em São Paulo, que já não possuem cobradores. Um sistema eletrônico extinguiu milhares de empregos de pais de família. É o “capitalismo selvagem”, cuja finalidade continua a mesma: o lucro, privilegiando uma pequena elite da sociedade.

Vale ressaltar que citei apenas um exemplo, mas há diversos outros que evidenciam como a tecnologia também pode gerar consequências desagradáveis para a classe trabalhadora. Mencionei acima a empresa Boston Dynamics, cujo protótipo de robô extremamente dinâmico encontra-se bastante avançado. Não sei se a intenção era atrair investidores do setor industrial, mas a demonstração das habilidades do robô foi apresentada à imprensa mundial justamente em um ambiente logístico.
Agora, pare e reflita comigo: imagine esses robôs na Amazon ou no Mercado Livre, que recentemente inaugurou um centro de distribuição aqui na Bahia, viabilizando a contratação de vários baianos. A realidade é que esse protótipo simula operações similares às de estoquistas, repositores, ajudantes gerais, entregadores, conferentes, entre outras — atividades que ainda são desenvolvidas por nós, seres humanos. Profissões exercidas honradamente por inúmeras pessoas que, talvez, em um futuro próximo, deixem de existir, sendo extintas, assim como ocorreu com os cobradores de ônibus no ABC.
As consequências do avanço tecnológico para a classe trabalhadora têm sido realmente relevantes? Será que o futuro da humanidade será melhor com os avanços tecnológicos? Infelizmente, não tenho essa resposta. Contudo, percebo que, a cada dia que passa, as dificuldades aumentam para as pessoas que não foram oportunizadas e não têm acesso à tecnologia, à informação, ou seja, ao conhecimento.
